10
Fev-2016

Cemitério de Comboios de Uyuni, Bolívia

Bolívia   /   Etiquetas:
  • cementerio1
  • cementerio2
  • cementerio3
  • cementerio4
  • cementerio5
  • cementerio6
  • cementerio7
  • cementerio8
  • cementerio10
  • cementerio11
  • cementerio9
  • cementerio12
  • cementerio13
  • cementerio14
  • cementerio15
  • cementerio16
  • cementerio17
  • cementerio18
  • cementerio19
  • cementerio20
  • cementerio21
  • cementerio22
  • cementerio23
  • cementerio24
  • cementerio25
  • cementerio26
  • cementerio27
  • cementerio28
  • cementerio29
  • cementerio30
  • cementerio31
  • cementerio32
  • CemiterioFB

Quem passa por Uyuni, na Bolívia, não pode deixar de visitar o Cemitério de Comboios (Cementerio de Trenes), um lugar esquecido em pleno deserto, cenário quase apocalíptico, habitado por enormes fantasmas e esqueletos de metal, cobertos por uma densa capa de ferrugem, onde se acumulam décadas de letargia desde as últimas viagens realizadas em inícios do século XX. Dentro das locomotoras e debaixo da areia permanecem enterradas as memórias do próspero passado industrial e mineiro da região. À vista permanecem apenas umas quantas carcaças vazias, e a impressão de um presente de imobilismo e sem rumo. Que aconteceu a Uyuni?

Os vestígios da Uyuni desaparecida

A pequena cidade de Uyuni, localizada no Departamento de Potosí, é a porta de entrada para todos os que desejam visitar o maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni. Nos últimos anos esta localidade do Sudoeste boliviano, com pouco mais de 30.000 habitantes, ganhou maior notoriedade internacional por fazer parte do itinerário do Rally Dakar, o que contribui para o aumento do Turismo na região, atividade que constitui atualmente um dos pilares da economia local.

No passado teve um papel determinante na região, já que foi o primeiro lugar da Bolívia que assistiu à chegada de um comboio. Em 1889 era inaugurada a primeira linha de caminho de ferro, que unia Uyuni ao porto chileno de Antofagasta (que atualmente pertence ao Chile), um ponto comercial estratégico para a exportação de minerais através do Oceano Pacífico. Posteriormente a linha foi ampliada a outras localidades como Oruro e Villazón, que se beneficiaram em grande medida com a chegada deste meio de transporte.

Infelizmente, este período de optimismo e prosperidade duraria poucos anos. Em 1904, e depois da Guerra do Pacífico (também conhecida como “Guerra del Guano y del Salitre”), a Bolívia assinava o Tratado de “Paz e Amizade” com o Chile, perdendo o controlo sobre o Porto de Antofagasta, o que comprometeu o comércio da região e, consequentemente, terminaria por afectar também o funcionamento dos caminhos de ferro bolivianos.

Em poucos anos, a rede ficaria reduzida a uns poucos quilómetros e muitas das máquinas que anteriormente eram utilizadas para o transporte de mercadorias deixaram de ser necessárias e foram abandonadas naquele que é hoje conhecido como o Cementerio de Trenes, que hoje não é mais que um decrépito museu a céu aberto, que passou a fazer parte do circuito turístico por esta zona.

comboio2

COMBOIO DE UYUNI A ORURO

Mas ainda há comboios em movimento em Uyuni! A linha que une esta pequena localidade com a cidade de Oruro permanece ativa. São cerca de 8 horas de viagem, cruzando paisagens simplesmente espectaculares. Era particularmente bonita a chegada a Oruro, quando o comboio deslizava entre as águas do lago Poopó, rodeado por dezenas de flamingos a ambos lados… Infelizmente, e devido aos efeitos do aquecimento global, do fenómeno meteorológico “El Niño” e da contaminação mineira, atualmente o lago está quase seco, o que afectou seriamente à fauna local, levando ao desaparecimento de várias espécies… Pelo que se vais viajar a esta região em 2016, provavelmente encontrarás uma paisagem bem distinta que a que tivemos o privilégio de observar em Fevereiro de 2015.

Um último alerta para os que pensam realizar o trajeto entre Uyuni e Oruro em comboio: aqui os relógios vão a outro ritmo e o conceito de pontualidade tem outro significado, com longos e frequentes atrasos, principalmente em época de chuvas. Nós tivemos que esperar 3 horas na estação, a meio da noite, sem qualquer tipo de aquecimento (e recordo que estávamos em pleno deserto e mais de 3.000 metros de altitude) e com informações contraditórias por parte dos próprios funcionários da empresa estatal de caminhos de ferro. Finalmente, às duas da manhã, chegou o nosso comboio, e depois de atravessar por cima da linha e de cruzar pelo interior de outro veículo (foi surreal!) pudemos acomodar-nos finalmente nos nossos lugares em primeira classe (que aí são demasiado baratos!), dar início à nossa viagem e despedir-nos de Uyuni.

1

 likes / 2 comentários
Partilhar este post:
  1. Salar de Uyuni, BolíviaRoadMoving /

    […] Para além do passeio pelo Salar de Uyuni e do referido almoço na mala do todo-o-terreno, o  tour de 1 dia que contratámos (por 180 bolivianos, ou 25 euros por pessoa) incluía também a visita ao famoso hotel de sal, onde poderás observar também o monumento dedicado ao Rally Dakar (que passa precisamente pelo Salar, apesar das reclamações de alguns residentes e ambientalistas, devido às consequências nefastas que implica, principalmente no que diz respeito à qualidade do ar, da água e do solo desta região única no mundo), uma pausa no mercado de artesanato local e uma visita ao Cemitério de Comboios (Cementerio de Trenes), que descrevemos com mais detalhe neste artigo. […]

  2. Viagem pelo Perú e BolíviaRoadMoving /

    […] Procurámos uma agência turística (não sei se chamar-lhes assim, já que aqui apenas existem pequenas empresas familiares), negociámos preços e pouco tempo depois já corríamos como crianças sobre o infinito manto branco do Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo, com uma paragem pelo meio, no fotogénico Cemitério de Comboios de Uyuni. […]

Comentar este artigo


Clica no formulário para ver mais

Arquivos

> <
Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec
Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec
Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec