04
Fev-2016

A divertida viagem de Cuzco até à Hidroeléctrica

Perú   /   Etiquetas:

A saída estava programada para as 7 da manhã e o ponto de encontro era a Catedral de Cuzco, na cêntrica Plaza de Armas. Todos chegámos à hora marcada… menos o motorista. Era um bom prenúncio, pensávamos com ironia. Meia hora depois víamos chegar uma carrinha branca a alta velocidade. Sim, era o veículo que nos levaria ao Machu Picchu. Impacientes pelo atraso, todos começámos a entrar imediatamente e a escolher os melhores assentos para desfrutar tranquilamente da paisagem durante o percurso.

Estávamos prontos. Mas porque não arrancávamos? Onde estava o condutor? De imediato encontrámos a resposta. No exterior do veiculo vimos uma moto da polícia e, uns metros mais adiante, o respectivo proprietário. Estava a multar o nosso motorista por estacionar em local proibido. A sério? Todos começámos a rir e a comentar a situação, o que ajudou a criar um ambiente descontraído e agradável desde o primeiro momento, o que se agradece bastante quando pela frente tens uma viagem de 6 horas (se tudo corre bem).

Curva e contracurva a 4000 metros de altitude

a caminho do Machu Picchu

A caminho do Machu Picchu, a 4000 metros de altitude

As primeiras duas horas foram bastante tranquilas. Quase todos aproveitámos para recuperar as horas de sono perdidas essa manhã e reinava um silêncio quase absoluto no interior do veículo, até que o senhor Luis (assim se chamava o nosso condutor) decidiu ligar o rádio e colocar a sua playlist favorita, com música romântica dos anos 70. No início foi divertido. Mas não podia dizer o mesmo depois de ouvir as mesmas canções 3 ou 4 vezes seguidas… E o corpo também já começava a dar os primeiros sinais de cansaço.

estrada Cuzco - Machu Picchu

Uma estrada de curvas e contracurvas…

Camino Machu Picchu

…com paisagens espectaculares.

A paisagem que nos rodeava era simplesmente impressionante. Mas viajar numa carrinha pequena durante horas, numa estrada de montanha com curvas e contracurvas, e a 4.000 metros de altura não é fácil… E o pior ainda estava para chegar. Em determinado momento abandonámos a estrada principal e entrámos num caminho de terra estreito e rodeado por enormes penhascos, atravessado por pequenos rios de água em alguns pontos, devido à grande quantidade de água que desce da montanha na época de chuvas. Por instantes cheguei a pensar que talvez esta não tenha sido a melhor decisão e que devia ter comprado o bilhete de comboio. Mas olhava para a paisagem que me rodeava e todos esses pensamentos desapareciam imediatamente da minha mente… Era incrível! Além disso, os comentários divertidos e as piadas eram constantes, o que ajudava a liberar eventuais tensões.

a caminho do Machu Picchu

Uma das cascatas que se podem observar ao lado do caminho de terra

cascata na montanha

Abandonados na estrada

Mas o climax cómico da viagem chegou quando a carrinha começou a emitir uns sons estranhos e a expulsar fumo negro da zona do motor. Até que deixou de andar… Sim, tivemos que sair todos do veículo e esperar por uma solução na estrada, debaixo de um sol abrasador e com temperaturas que rondavam os 35º. Pelos vistos o motor tinha aquecido demasiado e era necessário trazer água para o arrefecer. Por sorte havia uma casa a poucos metros e balde a balde, lá fomos ajudando o pobre motor a recuperar-se. Mas mesmo assim não queria arrancar. Ia demorar umas horas, dizia o condutor, e como ainda tínhamos pela frente uma hora de caminho em carro, mais duas horas a pé até Águas Calientes, e não queríamos chegar de noite, a solução encontrada foi dividir-nos e meter-nos nas outras carrinhas que iam passando.

carrinha avariada

A nossa carrinha avariada…

E foi assim que acabei sentada no chão de uma carrinha sobrelotada, rodeada por um grupo de surpreendidos mas simpáticos japoneses, que não tardaram em fazer-me sentir como se estivesse com o meu próprio grupo. Grupo que encontraria meia hora mais tarde, durante uma curta pausa para descansar. E aí estava também a nossa viatura, já preparada para um último esforço. Às quatro da tarde chegámos finalmente à Hidroeléctrica, o ponto final desta viagem. Agora devíamos caminhar durante duas horas junto à linha do comboio até chegar a Águas Calientes, onde passaríamos a noite. A visita ao Machu Picchu estava programada para a manhã seguinte.

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  2. Viagem de Cuzco ao Machu PicchuRoadMoving /

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