06
Jan-2017

Poblenou: uma galeria de arte efémera em Barcelona

Catalunha   /   Etiquetas:

Para além da típica imagem de Barcelona, tão vinculada ao futebol, praia, a Sagrada Família, existem muitos outros lugares que vale a pena visitar. Graças ao espaço de criação NauArt, tivemos a oportunidade de observar a cidade a partir de um ângulo distinto. Concretamente, através de uma rota de graffitis pelo bairro do Poblenou.

torre

A “Manchester” da catalunha

Um bairro no que no final do século XIX era a maior zona de concentração industrial da Catalunha e uma das mais importantes de toda a Espanha, e que nesse momento era conhecido como a “Manchester da Catalunha”. Grandes fábricas de azeite, vinhos, metais, maquinaria, artes gráficas, pinturas, plásticos e da indústria têxtil… Todas estavam localizadas nesta zona. E ao longo do século XX, o Poblenou (ou Povo Novo), consolidou-se ainda mais como um bairro operário e industrial.

A partir dos anos 60 começa um processo de desindustrialização, que deixou vazios grandes espaços e armazéns que agora são ocupados por empresas de transportes ou que servem de oficinas ou ateliers de diferentes tipos. Com os Jogos Olímpicos de 1992 começou um novo processo de transformação, o denominado @22, que atraiu também a diferentes empresas tecnológicas. Hoje em dia o bairro é uma mistura de tudo isto e a sede de um importante movimento artístico, que aproveitou os grandes espaços deixados pelas indústrias.

chimenea

graffiti3

Um museu ao ar livre

Este novo ar que percorre o Poblenou levou a plataforma de arte Rebobinart a organizar o festival Ús Barcelona, com o apoio da Câmara Municipal. Um evento anual que se celebra em espaços inutilizados da cidade e que na sua última edição teve lugar no antigo complexo industrial de Can Ricart, no Poblenou. Desta forma, os muros esquecidos ganham nova vida com cada camada de pintura, que é aplicada por diferentes artistas que expressam as suas ideias através do graffiti. Aqui podemos ver obras de reconhecidos artistas urbanos como: Pantónio, Yoshi Sislay, Mr Sis, entre outros, que aproveitam este tipo de iniciativas para dar um ar mais colorido a um dos bairros mais interessantes de Barcelona.

esquina

graffiti2

Mas o itinerário não se limita só a este espaço, já que outros muros do bairro também acolhem obras de arte urbana, convertendo as ruas do Poblenou numa galeria de arte efémera. Porque uma das características fundamentais do graffiti consiste na sua vulnerabilidade. E ao ser obras tão expostas, nada te garante que na próxima vez que passes por essa parede a obra continue aí, seja porque o muro foi derrubado (o que é bastante frequente), ou simplesmente porque outro artista decidiu pintar sobre o trabalho de outro. Um aspecto que converte o graffiti numa forma de arte única, fugaz, passageira, mas que permanece na memória de que teve o privilégio de o ver.

pintores

Pelo que a próxima vez que caminhes pelas ruas de qualquer cidade presta atenção aos graffitis das suas paredes. São uma expressão artística com um tempo de vida limitado. E quando venhas a Barcelona lembra-te que há muito mais para além do futebol, da praia e da Sagrada Família…

anabela

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