O futuro segundo Júlio Verne

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A literatura pode ser uma das principais fontes de inspiração de uma viagem. Porque nos leva a percorrer lugares exóticos, a viver aventuras de outras personagens, a sentir as emoções que te transmite o autor. E a verdade é que são muitas as vezes em que lês a última página de um livro e a primeira coisa que tem à cabeça é preparar a mochila e sair à descoberta dos lugares descritos nessas páginas e narrações com os teus próprios olhos.

Júlio Verne retrato

Retrato de Júlio Verne, por Félix Nadar

Um desses autores que são mágicos pela maneira como nos conta as suas histórias, pelas aventuras que inventa e pelos lugares que imagina, é Júlio Verne. E este autor vai muito vai longe que qualquer outro, transportando-nos a lugares misteriosos, usando aparatos e transportes inimagináveis. E se hoje em dia nos parecem impressionantes e alguns deles futuristas, imaginem o que sentiria um leitor em finais do século XIX ao ler as suas aventuras. Surpresa, encantamento, curiosidade.

Um escritor que era também um visionário

Para muitos, Verne é um dos pais da ficção científica e um autor visionário. Mas para nós, mais que um autor “fictício” é um escritor científico, que se assessorava demasiado bem, e que possuía um conhecimento e uma biblioteca incríveis. Cada detalhe das suas histórias está devidamente argumentado e sustentado.

Ilustrações de algumas das obras de Júlio Verne

Algumas Ilustrações da obra de Júlio Verne

Júlio Verne tinha um grande fascínio pela tecnologia. Descrevia objetos que eram impossíveis naquela época, levava os leitores (através das suas personagens fantásticas) a lugares inimagináveis, permitiu-lhes dar a volta ao mundo em 80 dias, percorrer vinte mil léguas submarinas e até chegar ao centro da terra, entre muitas outras aventuras.

E como bom narrador que era, conseguiu que muitas das suas obras saltassem do papel para outros formatos e inspirassem um grande número de filmes e obras de teatro ao longo das últimas décadas.

Mas o mais curioso e atrativo da obra de Verne, como mencionávamos antes, são esses detalhes que se adiantaram ao seu tempo. Quase podemos dizer que foi um Nostradamus, com a capacidade de visualizar e antever o futuro. Era um visionário.

livros de Júlio Verne

Capa de alguns dos seus livros

As previsões de Júlio Verne

Talvez uma das previsões mais surpreendentes que se podem ler na sua obra esteja em “Da Terra à Lua”. Simplesmente a ideia de chegar à lua praticamente um século antes de que acontecera já nos parece incrível. Mas a coisa não fica por aqui: também acerta com o número de astronautas, com a dimensões das naves e com a velocidade necessária para escapar da gravitação terrestre, para além de ser demasiado preciso com o lugar onde o módulo lunar aterra e o ponto escolhido pelos astronautas para iniciar a viagem de regresso à terra. Não acertou com os “selenitas”, ou supostos habitantes da lua, mas esse já seria tema para outro artigo.

Verne imaginou uma nave que voa, similar a um helicóptero e, “Robur, o conquistador”, leva-nos ao mais profundo do oceano dentro do “Nautilis”, descrevendo ao detalhe todo o equipamento de mergulho. E temos que salientar que nem o submarino nem todos esses utensílios tinham sido inventados e só o seriam em mediados do século seguinte. Imaginou transatlânticos, elevadores, bonecas que falam, armas de destruição massiva, satélites artificias, motores eléctricos, e muito mais…

Livros Verne - Hetzel

Primeiros livros de Júlio Verne. Coleção Hetzel

Mas não foram só artefactos. Júlio Verne também foi capaz de prever acontecimentos, como a conquista dos polos ou as fontes do Nilo, a invenção da Internet ou a chegada do totalitarismo. O que ainda não se conseguiu comprovar foi a existência de um oceano subterrâneo ou bosques de cogumelos, como os que descrevia na “Viagem ao centro da terra”.

Ilustrações de Edouar Riou

Ilustrações de Edouard Riou sobre as obras de Verne

 Mas talvez o mais extraordinário da sua obra esteja entre as páginas que nunca publicou enquanto vivia, num livro chamado “Paris no século XX”, uma obra futurista que o seu editor lhe aconselhou que não publicara devido ao carácter pessimista da sua narração. Nessa obra Verne imaginava a capital francesa com arranha-céus em vidro, com comboios rápidos, uma sociedade de massas, com demasiada tecnologia e obcecada com o dinheiro, onde a literatura e a música tinham sido esquecidas. Soa familiar? Uma visão escura e negativa, bem mais próxima aos imaginários de Orwell ou Huxley, que à literatura de viagens.

Um visionário, um profeta ou simplesmente um bom observador da sociedade que o rodeava. A verdade é Júlio Verne te motiva a fazer as malas e a explorar, a comprovar se existem esses lugares mágicos que narra nas suas histórias. E outros…

Impressões & Sentimentos: Tudo que um homem pode imaginar outros homens poderão realizar.

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