01
Fev-2016

Itinerário de duas semanas pelo Peru e Bolívia

América do Sul   /   Etiquetas: ,

DIA 1 – CHEGADA A LIMA, capital do perú

Esta viagem começa com um voo Barcelona-Lima, com escala em Madrid. Chegámos à capital do Peru um Domingo de manhã, com o cansaço no corpo depois de 12 horas metidos num avião e sem um itinerário demasiado definido. Tínhamos uns quantos sítios que queríamos visitar, mas sem uma ordem determinada e com apenas uma ou duas reservas que nos podiam limitar um pouco na hora de tomar decisões. Estávamos dispostos a improvisar!

Lima, Perú

Lima, Perú

DIA 2 – EXCURSÃO EM PARACAS

Depois de um dia de reconhecimento e adaptação na capital, e porque a vontade de viajar pelo país e conhecer outras lugares era muita (normalmente não gostamos de ficar muito tempo em cidades grandes), apanhámos um autocarro em direção a Paracas, uma pequena cidade portuária localizada na Costa Sul do país, a poucos quilómetros das famosas linhas de Nazca. Antes de viajar tínhamos lido alguns artigos sobre as Ilhas Ballestas que nos tinham impressionado, pela beleza das paisagens e pela variedade da sua fauna (com lobos marinhos, pinguins, aves, etc). E pareceu-nos curioso ler que muitos a consideram as “Galápagos dos pobres”. Pois aí estava: dois mochileiros low cost como nós, tínhamos de ir.

Em Paracas reservámos um tour que incluía a visita às Ilhas Ballestas e um passeio pela Reserva Natural de Paracas, percorrendo solitárias estradas em pleno deserto, observando extensas e isoladas praias de areias coloridas e aprendendo um pouco mais sobre as culturas Nazca e Paracas no Museu de História, integrado em plena Reserva Natural. Uma experiência mais que recomendável e que provavelmente repetiremos no futuro!

DIAS 3, 4, 5 – CUZCO E MACHU-PICCHU

Depois de Paracas tivemos que regressar a Lima, para apanhar o avião que nos levaria até Cuzco, cidade-base para todos os que desejam visitar o Machu Picchu. E aqui começava uma nova aventura, nesta pequena povoação localizada a quase 3.400 metros de altura, que no passado foi Capital do Império Inca e que na atualidade sobrevive graças às centenas de turistas que aqui descansam cada semana, antes ou depois de lançar-se à descoberta da montanha mágica. Nós iríamos no dia seguinte.

machupichu5

Machu Picchu, Perú

Depois de aconselhar-nos no hostel onde dormimos, decidimos optar pela segunda opção mais barata. A primeira implicava percorrer a pé o Caminho Inca, num percurso que dura cerca de quatro dias. Impossível para nós, que viajávamos com data de regresso definida e com um itinerário que incluía visitar também parte do território boliviano. O comboio foi excluído por não caber no nosso humilde orçamento. Pelo que às 7 da manhã do dia seguinte entrávamos na carrinha que nos conduziria numa divertida viagem até à Hidroeléctrica. Depois tínhamos pela frente uma emocionante caminhada de duas horas até Águas Calientes, onde passaríamos a noite antes de subir ao Machu Picchu, sem dúvida um dos lugares mais mágicos que já visitei e que merece estar na lista de Património Mundial da UNESCO.

DIA 6 – Carnaval de puno

Ainda com a energia e magnetismo do Machu Picchu no corpo, rumámos em direção à fronteira com a Bolívia, numa viagem de autocarro que duraria cerca de 6 horas e que incluía uma pausa de uma noite em Puno, com o lago Tititaca no horizonte. Coincidência das coincidências, a nossa chegada coincidia com uma das festas mais importantes da cidade e de todo o mundo andino. Estávamos em Fevereiro e aqui se celebrava o Carnaval de Puno ou Festas da Virgem da Candelária, uma explosão de música e cor que animou a nossa estadia e que nos provocou um sorriso que nos acompanharia o resto da viagem.

festas da virgem da candelária

Carnaval de Puno ou Festas da Virgem da Candelária

DIAS 7, 8 – copacabana e ilha do sol (bolívia)

E precisamente uma semana depois da nossa chegada a Lima, abandonávamos o Peru e entrávamos em território boliviano, para visitar primeiro Copacabana, onde passaríamos uma noite, e entrar depois no pequeno barco que nos levaria até à Ilha do Sol, um dos mais importantes centros energéticos do planeta, lugar sagrado para os Incas, que aqui se reuniam para enviar os seus pedidos e orações ao Sol. Uma ilha repleta de mitos e lendas, rodeada de misticismo e de uma aura especial, que sem dúvida vale a pena visitar. E se viajas com tempo, recomendamos que lhe dediques pelo menos dois dias, para conhecer melhor as suas gentes, saber mais sobre o seu estilo de vida, para sentir a energia que emana do solo e assistir ao pôr-do-sol rodeado pelo Titicaca, o maior lago em altura do mundo. Uma experiência inesquecível!

DIA 9 – LA PAZ

Copacabana está a cerca de quatro horas de La Paz, uma das cidades mais importantes da Bolívia (já que aqui se encontra a sede do Governo) e que muitos confundem com a capital, que na realidade é Sucre, uma cidade de 400.000 habitantes localizada na Província de Oropeza, na Cordilheira Oriental dos Andes.

La Paz, classificada em 2014 como uma das “Sete Cidades Mais Maravilhosas do Mundo”, foi uma surpresa bastante agradável. É certo que a densidade urbana impressiona. Se observas a cidade desde o moderno teleférico que une o centro de La Paz a El Alto, não vês mais que uma enorme massa de edifícios de tijolo, apertados entre montanhas num vale que acomoda a quase 790.000 habitantes.

vendedora de artesanato

Mulher boliviana, com o tradicional traje andino

Mas se te aproximas do centro histórico da cidade, imediatamente te deixas levar pelos sorrisos dos vendedores de artesanato vestidos com os tradicionais trajes andinos, pela beleza das suas casas coloridas de arquitectura colonial espanhola, pelos postos de comida ambulante com sumos de frutas e milho a preços mais que reduzidos. E até os cabos eléctricos que cruzam por cima das cabeças de quem caminha pelas suas ruas estreitas e inclinadas lhe dão um encanto especial. E isto sem falar da beleza dos edifícios da Praça Murillo, onde se encontra a Catedral ou o Palácio do Governo. Enfim, ao contrário do que pensava, La Paz dá vontade de ficar. E tanto é assim, que acabámos por voltar depois de visitar o Salar de Uyuni, ao sul do país.

DIA 10 – salar de uyuni

A viagem de La Paz a Uyuni foi realizada durante a noite, aproveitando o fantástico serviço a que chamam “bus-cama”, que não são mais que autocarros especialmente adaptados para viagens longas, com suficiente espaço entre assentos para que se possam inclinar um pouco mais. E tendo em conta que tínhamos uma viagem de 12 horas pela frente, nem pensámos duas vezes.

Chegámos a Uyuni ao principio da manhã. E a imagem que víamos desde a janela era desoladora… Parecia que estávamos a entrar no cenário de qualquer Western americano. O autocarro deslizava lentamente entre pequenas casas de um único andar construídas em tijolo, em ruas por asfaltar, com areia por todas as partes. E nem rastro de presença humana… Estaria a dormir ainda? Não. Simplesmente era demasiado cedo. Poucas horas depois começavam a abrir-se as portas dos pequenos estabelecimentos comerciais, montavam-se os postos do mercado local, começávamos a ver os primeiros turistas à procura de Wifi (um bem precioso neste lugar!) e um café decente.

Procurámos uma agência turística (não sei se chamar-lhes assim, já que aqui apenas existem pequenas empresas familiares), negociámos preços e pouco tempo depois já corríamos como crianças sobre o infinito manto branco do Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo, com uma paragem pelo meio, no fotogénico Cemitério de Comboios de Uyuni.

Uyuni

Salar de Uyuni, Bolívia

DIA 11 – regresso a la paz

O nosso objetivo seguinte era a cidade de Oruro. E esta vez optámos por utilizar um meio de transporte distinto. Iríamos em comboio, percorrendo uma das poucas linhas ferroviárias que permanecem activas na Bolívia. Uma decisão que nos proporcionaria alguns momentos divertidos, que descrevemos melhor neste artigo. Mas a viagem continua. Seis horas depois de deixar para trás Uyuni, a pequena cidade de sal e areia, chegámos a Oruro. Mas não ficámos muito tempo…

Para que entendam, há que dizer que o Carnaval de Oruro foi declarado Obra Mestra do Património Oral e Intangível da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, o que fez com que esta festa seja conhecida a nível mundial. Resultado: a cidade estava cheia de gente, quase todos os hotéis estavam completos e os poucos quartos que ainda havia disponíveis custavam verdadeiras fortunas… Adiantámos o regresso a La Paz. E desta vez decidimos dar-nos um pequeno luxo e ficar num hotel como deve ser (com água quente e tudo!).

DIA 12 e 13 – arequipa

Desaguadero

Passo fronteiriço do “Desaguadero”. Fronteira Bolívia-Perú

No dia seguinte voltámos a cruzar a fronteira Bolívia-Peru, desta vez por “Desaguadero”, para chegar à cidade de Arequipa, onde passaríamos um dia. Também conhecida como “Cidade Branca”, é o segundo núcleo urbano mais povoado no Peru, depois de Lima. Mesmo assim, mantém um ritmo pausado e tranquilo que a converte no lugar perfeito para uma pausa antes de regressar a Lima. O seu centro histórico, incluído na Lista do Património Cultural da Humanidade da UNESCO, atrai anualmente a milhares de turistas nacionais e estrangeiros. Mas esta é uma paragem quase obrigatória também para todos os que desejam visitar o Vale do Colca, com uma profundidade de 4.160 metros, sendo duas vezes mais profundo que o Grand Canyon, nos Estados Unidos da América.

DIA 14 – sobrevoando as linhas de nazca

Pouco a pouco, a viagem ia chegando ao seu fim. Mas ainda faltava desvendar um dos maiores segredos localizados em território peruano… Tínhamos que sobrevoar as Linhas de Nazca. E isso foi o que fizemos antes de regressar a Lima. Por cerca de 70 euros por pessoa subimos a uma avioneta e pudemos observar cada uma das enormes figuras desenhadas pela Cultura Nazca e cujo objetivo e significado está ainda por entender. Um autêntico enigma arqueológico que vale a pena ver, nem que seja uma vez na vida!

E eis que chega o momento de regressar a terra e ao nosso ponto de origem. Essa mesma tarde regressávamos a Lima, já com a contagem decrescente activada.

Nazca

Sobrevoando as linhas de Nazca em avioneta

DIAS 15 e 16 – DESPEDIDA DE LIMA E REGRESSO A BARCELONA

Os últimos dois dias foram dedicados aos pequenos prazeres e comodidades da capital, que sempre se valorizam muito mais depois de uma viagem de duas semanas por lugares que nem sempre dispunham dos serviços mais básicos, onde ter Wifi era quase uma utopia, com caminhadas em alta-montanha incluídas, para não falar de viagens de mais de 10 horas em autocarro, por estradas vertiginosas, com intimidantes penhascos aí mesmo ao lado, mas rodeadas por maravilhosas paisagens andinas que permitem esquecer qualquer perigo ou cansaço…

Esta foi, sem dúvida, uma viagem inesquecível. O Peru e a Bolívia gozam de uma simplicidade e honestidade que te conquistam desde o primeiro momento. E muito ficou por ver… Regressaremos? Regressaremos.

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  1. Sobrevoando as Linhas de Nazca, no Perú - RoadMovingRoadMoving /

    […] decidimos deixar a observação das linhas para o final da nossa viagem pelo Perú e Bolívia. E foi uma fantástica decisão, porque concluímos o nosso itinerário com imagens aéreas […]

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